• Lis Haddad

613 sementes

Atualizado: 4 de ago. de 2020

Sou filha de uma quarta feira de lua nova e é daí essa vontade de nascer e nascer e nascer a todo tempo. Tenho em mim a semente e a pulsão.

Vim no final de setembro, coisa que me agrada. Gosto do ‘Se‘ e do ‘Te‘ que setembro tem.

Isso de ser do último dia me dá um negócio que eu ainda não sei o nome. São 29 dias nesse infinito-instante Sacerdotisa – Eu grávida de mim – e no trigésimo sinto o alívio de quem pari e a desnorteante descoberta de espaço de quem chega.

Desnorteantedescobertadeespaço deveria ser uma palavra só. Deveríamos ser como os holandeses que juntam palavras e desenham aquela imagem gigantesca como se só assim fosse possível caber toda dimensão, todas as possibilidades, tudo que ela já descreveu.

Desnorteantedescobertadeespaço deveria ser nome de sentimento porque não há nada mais que defina a perturbação e curiosidade de se emergir do caos.

Ahhh lua nova… Uma coisa que acho incrível são as 613 sementes que tem a romã. 613 sementes que ocupam o mesmo espaço de quando abaúlo minhas mãos em forma de lua e as junto como se todo segredo coubesse ali. 

Talvez se desnorteantedescobertadeespaço e mãosemformadelua fossem verbos estariam atrelados, um como consequência do outro ou um contendo o outro. Assim como a semente e a pulsão, assim como a lua nova e todo seu desejo de nascer.

Talvez novas palavras se façam necessárias para dar conta de tudo o que é parir-se tantas vezes em vida.

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